quinta-feira, janeiro 26, 2006

Ironias

Jacques Chirac anunciou uma mudança relativa na política de dissuasão nuclear do seu país. Doravante, a França reserva-se o direito de recorrer a uma resposta nuclear dirigida aos Estados que contra si lançarem um ataque com armas de destruição massiva (nucleares, químicas, bacteriológicas). Idêntica posição (menos cuidadosa, aliás) fôra já adoptada pelos EUA, pelo Reino Unido e, logo a seguir, pela Rússia. Ninguém ligou. Agora, tem sido uma escandaleira.
Prémio da reacção mais cómica: o Irão, que através do porta-voz do Conselho Supremo da Segurança Nacional declarou que este era "um assunto de inquietação para a paz mundial". Faz o que digo...
Porém, se à partida esta mudança (declarada como meramente de dissuasão) até poderia aceitar-se, colocam-se algumas questões. Primeiro, como determinar no imediato a responsabilidade do Estado "atacante"? Foi ele que atacou? Forneceu armas de destruição a um grupo terrorista para que ele organizasse e realizasse o ataque? Deixou apenas que esse grupo fizesse base no seu território?
E, problema mais fundamental: a arma nuclear é, por definição, um meio de destruição indiscriminado, que não distingue, obviamente, combatentes de civis - e, portanto, sempre ilícita.
Portanto, admitamos que a dissuasão pura e simples funciona. Óptimo. Mas, e se falhar? Vamos responder na mesma moeda? Os inocentes do outro lado merecem morrer porque os nossos morreram?