quinta-feira, fevereiro 09, 2006

PT - O ALBERGUE DO REGIME

(Tópicos de uma intervenção que não teve tempo)

  • Por vezes penso que o negócio das telecomunicações está para este regime como o negócio do bacalhau estava para a ditadura - hoje, os Henriques Tenreiros têm outros nomes mas os baronatos são mais ou menos os mesmos;
  • Esta iniciativa da SONAE constituiu, até agora, o maior elogio implícito ao equilíbrio político actual do país;
  • O mesmo empresário que há pouco mais de um ano declarou que não iria mais investir em Portugal, prepara-se para fazer o maior investimento privado da história económica portuguesa - demonstra uma clara confiança no funcionamento das instituições políticas e não só;
  • Belmiro de Azevedo é uma personagem à parte no mundo dos grandes empresários nacionais - não integra a Corte do regime, não cresceu graças aos favores do Estado, não os pede e não os recebe, não se submeteu à tradicional lógica de mimética estatista que aflige o funcionamento de tantas empresas portuguesas - para já, estão aqui em jogo duas visões antagónicas do país e do mercado;
  • A PT nunca deixou realmente de ser uma empresa para-estatal:
        • - Pela golden-share que fez com que o Estado mantivesse um poder de gestão essencial;
        • Pela teimosa manutenção de privilégios que impede uma concorrência eficaz;
        • E, sobretudo, por ao longo dos anos se ter feito da PT o Albergue do Regime (a par da CGD), uma espécie de El Dorado para os empregados do sistema que já não se sentem bem com as meras regalias de funcionário público;
  • Há uma fantástica coincidência entre o discurso dos sindicatos e a prosa de estatista ofendido com que o presidente da PT nos brindou na passada terça-feira;
  • Será realmente que a PT serve o interesse nacional? (nesta dimensão não sei o que é isso – soa-me a chavão, a simples pretexto) Eu gosto de aplicar o critério do consumidor: por exemplo, a PT exige aluguer do telefone fixo, a Clix não;
  • O Governo não deverá impedir o funcionamento do mercado e deve abster-se de intervenções desequilibradoras;
  • A grandeza deste caso faz com que os empresários e a finança internacional estejam atentos àquilo que o Governo português irá fazer - caso o mercado seja condicionado, o seu livre funcionamento asfixiado, um sinal muito negativo estará a ser dado;
  • E tudo o que de bom se terá, eventualmente, conseguido com a recente visita de Bill Gates será lamentavelmente perdido – e o país dará uma imagem anacronicamente socialista que afastará interesse e investimento.